Ainda no Domingo passado conversei sobre este tema.
Não é concensual mas quando as pessoas respeitam ou pelo menos toleram as ideias dos outros, tudo se torna bem mais fácil.
Não sou uma pessoa demasiado espiritual. Nunca fui. Talvez por não ter tido uma educação religiosa e por esse tipo de ensinamentos terem sido deixados ao meu critério.
Sou mais agarrada à ciência, à psicologia, ao experimento científico, ao racional.
Já com os meus 17 anos achava terem algum fundamento as máximas de Descartes que já naquele tempo ousou o tal "Penso, logo existo". Eu até adianto mais... Chego a sugerir o "Sinto, logo penso, logo existo".
Considero que o corpo, e mais concretamente o que nos chega ao pensamento através dos diversos orgãos dos sentidos, é o veículo principal que conduz aos nossos pensamentos. E aqui incluo também os estados de espirito e outras emoções (amor, paz, esperança, crença) e necessidades.
Um ser que simultameamente não ouve, não fala, não vê, não apalpa, não cheira, não prova através do paladar e não tem noção sobre a sua postura espacio-temporal (alguns cientistas dizem que este deveria ser o 6.º sentido)... um corpo nestas condições não providencia o cérebro com o alimento que o faz funcionar. Não basta que o coração bata, a consciência é a parte principal deste processo.
A pouca espiritualidade que alimentei, não tem de modo nenhum que ver com o que me poderá suceder quando um dia fechar os olhos para todo o sempre. Não pretendo agradar Deus para que depois da morte ele me reserve um lugar simpático a seu lado. As minhas crenças religiosas e espirituais servem o propósito de tranquilizar e amparar a minha caminhada terrestre. Apenas isso.
Já me perguntaram se este pensamento de finitude não me causava medo e angústia. O medo de acabar para todo o sempre.
Não tenho medo de acabar. Claro que não! Tenho pena... mas não tenho medo! Não considero que o universo tenha intenções específicas para cada um de nós. Acho que o universo se cria e recria e que todos nós servimos os seus propósitos.
Sinto-me como uma abelha operária que trabalha afincadamente na sua colmeia, que cumpre o seu papel, que faz a sua parte. Bem sei que esta grande colmeia gigantesca que é o nosso planeta tem algumas abelhas rainhas que sobressaem. Seres mais iluminados, mais criativos, mais empenhados merecem essa consagração.
Também acredito no divino. Porquê? Porque preciso. Porque sou pessoa, porque tenho medos receios e porque preciso do amparo de uma mão que me ajude nesta caminhada. Se me perguntarem se acredito nessa força que vem de fora de mim eu respondo que sim sem pestanejar.
Mas acredito que essa força só existe porque eu acredito que ela existe.
Então em que ficamos? Acredito ou não na alma, por exemplo? Claro que sim, pelo menos enquanto estiver viva para nela acreditar.
Como continua então essa tal "alma" a viver depois de já termos partido? Nas recordações e na saudade que deixamos aos outros, nos nossos genes através da descendência, no legado que deixamos.
Não digo que isto seja o certo porque na realidade não tenho certezas de nada. Digo apenas que é nisto em que, por enquanto, acredito. Posso vir a ter de futuro ensinamentos e experiências que me mostrem o contrário... não sei...
Acho ainda que o livre arbitrio e o acaso têm a sua quota parte de responsabilidade nesta miscelância de causas e efeitos que ajudam a moldar o que somos. As escolhas que fazemos e o que os factores exteriores a nós, ajudam a dar forma a este barro que vai assumindo uma forma mais e mais coerente. A verdadeira obra de arte estará completa quando formos já velhinhos. Ai estamos mais completos.
A reencarnação seria uma excelente teoria para eu seguir. Acho que quando chegar a velha me vai apetecer nascer outra vez. Gostei tanto de cá estar que não dava por mal empregue passar por tudo novamente (por muito diferente que fosse o caminho). Muitos e muitos outros triliões de pessoas, tão merecedoras quanto eu terão a sua oportunidade. Nascerão mais e mais pessoas boas, más, mesquinhas, generosas, inteligentes, ignorantes... Também elas darão o seu valioso contributo.
E o karma... o destino? Acho apenas que quando acreditamos mesmo que algo vai acontecer ou há grande probabilidade de acontecer uma coisa, agimos de forma a proporcionar que tal aconteça.
Acredito no poder das leis da atracção. Nisso acredito, sim senhor!
Ah, ah, ah... p'ro que me deu!!!!!!!!!!!! Um beijinho muito chegadinho de quem já tem metade dos fusíveis esturricados.
Ah, ah, ah... P'ro que me deu!!!!!!!!!!!!!
Peço imensas desculpas...
ResponderEliminarLembro-me perfeitamente que por esta altura andava sob uma medicação fortíssima que me causou danos irreversíveis no sistema nervoso central.
Ah, ah, ah, ah, ah...
PS: É por estas e por outras que às vezes desconfio que tenho dupla personalidade :)