Como funciona o pedido de resgate?
"O FMI está à porta, mas o que é que o país precisa de fazer para pedir um resgate? Em primeiro lugar, o governo terá de contactar o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Central Europeu e a União Europeia.
Mais tarde terá de contactar as mesmas entidades através de uma carta de intenções formal. Nesta o Executivo terá de explicar aos organismos o pacote de medidas que o governo prevê adoptar para garantir o pagamento dos empréstimos solicitados.
A partir do momento em que o resgate é solicitado, o governo inicia negociações com o FMI para um memorando de entendimento.
A partir daí, a equipa do FMI desloca-se ao país em causa – a visita poderá demorar entre duas a três semanas- e levará uma equipa de analistas para estudar a situação do país no intuito de apurar a quantidade exacta de dinheiro que é preciso.
Só depois é que o FMI irá elaborar um plano que terá de receber o aval dos ministros das Finanças europeus. Depois de receber luz verde, será assinado um memorando de entendimento.
Portugal ficará obrigado a respeitar um programa de cortes exigente de forma a cumprir com as metas estipuladas."
Que consequências terá esta ajuda?
«O director-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI) assume que Portugal vai sofrer cortes orçamentais dolorosos e durante muito tempo.
Dominique Strauss-Khan diz, ser preferível actuar pela via orçamental, sublinhando tratar-se de um processo longo mas realista e acrescenta que nenhum país pode gastar acima das suas possibilidades durante muito tempo, tal como fez Portugal.
Preferimos seguir pela via do ajustamento orçamental. É um processo mais longo e mais realista, por isso, não vamos exigir velocidade máxima. Não é possível a um país gastar acima das suas possibilidades durante muito tempo, foi o que aconteceu em Portugal, não me compete apontar o dedo, mas foi o que aconteceu e agora vocês têm que entrar nos eixos de qualquer forma.
Strauss-Kahn diz ainda ser urgente regressar a um quadro de crescimento económico: Muitos países da Zona Euro foram capazes de aumentar a competitividade nos últimos anos, não apenas a Alemanha que é sempre o exemplo apontado, mas outros também o fizeram, por isso, não há razão para que Portugal não o possa fazer.
Preferimos seguir pela via do ajustamento orçamental. É um processo mais longo e mais realista, por isso, não vamos exigir velocidade máxima. Não é possível a um país gastar acima das suas possibilidades durante muito tempo, foi o que aconteceu em Portugal, não me compete apontar o dedo, mas foi o que aconteceu e agora vocês têm que entrar nos eixos de qualquer forma.
Strauss-Kahn diz ainda ser urgente regressar a um quadro de crescimento económico: Muitos países da Zona Euro foram capazes de aumentar a competitividade nos últimos anos, não apenas a Alemanha que é sempre o exemplo apontado, mas outros também o fizeram, por isso, não há razão para que Portugal não o possa fazer.
Muitos discutem sobre as medidas que deveriam ter sido assumidas mais cedo, o que é verdade, mas agora não vale a pena discutir sobre isso e neste momento a questão é olhar para a frente e saber o que deve ser feito.»
Quem se lembra?
«A História parece querer repetir-se: com novas personagens, uma nova realidade e o mesmo País. No final dos anos 70 e início dos anos 80 os economistas do FMI estiveram em Portugal. O país estava na bancarrota. Hoje, parece inevitável um resgate europeu e do FMI, na ordem dos 80 mil milhões de euros, dinheiro a ser emprestado de três em três meses.»
«Faltou gasolina, leite e açúcar, tirou-se o subsídio de Natal, congelaram-se salários, não se podia levantar dinheiro, as importações ficaram limitadas. O FMI já esteve em Portugal duas vezes - em 1977 e em 1983 - e há toda uma geração que se lembra do que representa um pedido de ajuda externa na prática.
Idalina Lopes, de 65 anos, recorda-se que, da primeira vez, não havia gasolina. Nuns dias iam abastecer os carros com matrícula ímpar, noutros abasteciam os carros com matrícula par. Já da segunda vez, e como tinha comprado casa na altura, foi mais difícil. Tive de pedir dinheiro emprestado para comprar os móveis. As idas às compras também mudaram, uma vez que cortaram nas importações.
Idalina Lopes, de 65 anos, recorda-se que, da primeira vez, não havia gasolina. Nuns dias iam abastecer os carros com matrícula ímpar, noutros abasteciam os carros com matrícula par. Já da segunda vez, e como tinha comprado casa na altura, foi mais difícil. Tive de pedir dinheiro emprestado para comprar os móveis. As idas às compras também mudaram, uma vez que cortaram nas importações.
Desta vez, antevê mais problemas: As pessoas habituaram-se aos luxos e a ter férias sempre. Agora gastam e não poupam, enquanto nós na década de 80 tínhamos sempre um pé-de-meia.»
E nós?
Pois a nós cabe esperar o que vem por ai. Certamente dias difíceis e receio no futuro.
Mas é próprio deste povo lusitano esperar com fé o gigante Adamastor e aguerrido dobrar este cabo de tantas tormentas.
Força! Um grande, grande beijinho para ti... Portugal

Paulinha,
ResponderEliminarComo vês ser PORTUGUÊS é um Orgulho!!!Bj
Sem dúvida!
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