"Mas é preciso morrer e nascer de novo
semear no pó e voltar a colher
há que ser trigo, depois ser restolho
há que penar para aprender a viver
e a vida não é existir sem mais nada
a vida não é dia sim, dia não
é feita em cada entrega alucinada
p'ra receber daquilo que aumenta o coração."
semear no pó e voltar a colher
há que ser trigo, depois ser restolho
há que penar para aprender a viver
e a vida não é existir sem mais nada
a vida não é dia sim, dia não
é feita em cada entrega alucinada
p'ra receber daquilo que aumenta o coração."
Mafalda Veiga
Aqui têm. É isto que eu sou...
Mas também sou uma mulher de 37 anos (daqui a poucos dias).
Não desvendo os mistérios da vida mas sou atenta o suficiente para não deixar passar ao lado alguns dos sinais que ela põe no meu caminho.
Interesso-me sobretudo por pessoas. Sempre fui assim, desde pequena.
Se ia, por exemplo, passear a algum lado e outras pessoas sabiam descrever com exactidão a paisagem, se o dia estava cinzento ou solarengo, ou o tempo que demorava o trajecto, eu regra geral fixava mais os olhares, conversas, semblantes, vozes, os risos, os modos das pessoas.
Vivi diferentes realidades e os cenários diferentes em que fui crescendo também me fizeram dar conta da diversidade de formas de estar e agir. As pessoas têm um aspecto diferente, falam e vivem de maneira diferente e, consequentemente, pensam e sentem também de diferentes formas.
Comecei a minha jornada numa aldeia. Ai vivi até aos 7 anos.
Uma terra com uma praia linda de mar bravo onde só os mais aventureiros se atrevem a dar as primeiras braçadas. O som daquele mar é música...
Desde cedo acompanhei a minha Avó Vitória nas lidas do campo. Não que fizesse muito, pois em bom rigor da verdade, na maior parte das vezes não me deixava mexer em nada para não me magoar. Mas bastava que me deixasse livre e eu logo arranjava maneira de fazer asneira. E se hoje encaramos a existência de um animal doméstico como uma mais valia para o desenvolvimento afectivo de uma criança, haviam de me ver no meio dos coelhos e das galinhas... Não fosse terem acabado na panela, seriamos ainda hoje grandes amigos...
Uma terra com uma praia linda de mar bravo onde só os mais aventureiros se atrevem a dar as primeiras braçadas. O som daquele mar é música...
Desde cedo acompanhei a minha Avó Vitória nas lidas do campo. Não que fizesse muito, pois em bom rigor da verdade, na maior parte das vezes não me deixava mexer em nada para não me magoar. Mas bastava que me deixasse livre e eu logo arranjava maneira de fazer asneira. E se hoje encaramos a existência de um animal doméstico como uma mais valia para o desenvolvimento afectivo de uma criança, haviam de me ver no meio dos coelhos e das galinhas... Não fosse terem acabado na panela, seriamos ainda hoje grandes amigos...
Tive realmente uma primeira infância plena de brincadeira, feliz e despreocupada. Tinha um grupo grande de amigos e era um fartote de joelhos esfolados e galos na cabeça.
De todos os rostos dessa altura, ficaram mais gravados na minha memória os dos meus avós, tios, primo e da Ti Catita, que era uma senhora mais velha que a Sé de Braga e que ia lá para nossa casa buscar o conforto que a velhice e filhos desavindos não lhe conseguiam dar. Engraçado como me lembro tanto dessa velhota que me contava histórias e cantava as canções de tempos idos. E ninguém sabia o nome dela, acho eu. Era Ti porque todas as velhotas eram ti e Catita porque era catita, claro está!
Quando me mudei para Cascais, tudo mudou.
A terra, as pessoas, os amigos, a escola... tudo mudou...
Mas eu sempre adorei Cascais. Primeiro estranha-se, depois entranha-se. Não é o que dizem?
Mas eu sempre adorei Cascais. Primeiro estranha-se, depois entranha-se. Não é o que dizem?
A família da minha Mãe (e ela própria, claro) foi o meu suporte. Os meus Avós, de quem eu tenho tantas saudades, foram sempre muito carinhosos e empenhados em me receber de braços abertos e eu depressa me habituei a ser realmente muito especial. Foram muito importantes para mim estes meus queridos avós.
As notas da 2.ª classe não foram famosas porque esse ano foi de mudança a todos os níveis, mas depressa engrenei, meti-lhe uma quinta e nunca mais senti dificuldades de maior com a escola. Aliás, eu sempre adorei estudar. Gostava mesmo da escola. O grupo de amigos também era grande. Tive a sorte de ter conhecido muito boa gente! Alguns, claro, revelaram-se uma decepção, mas também esses tiveram o seu papel positivo na ninha vida, quanto mais não seja, por me terem ajudado a abrir um pouquinho mais a pestana.
A secundária então foi uma maravilha! Adorei! Foi também a altura das minhas matinés no Julianas e no Booggie. O que a malta se divertia!
Mais tarde a faculdade (ISPA), onde estudei à noite. Logo não me restava muito tempo para socializar e onde não cheguei a fazer muitos amigos, com excepção da Carla, do Carlos e da Helena. Não sei nada deles... tenho pena...
Mas valeu pela viagem de fim de curso, no que toca à diversão. Brutal, é só o que vos digo!
Enquanto isso sempre fui trabalhando como secretária numa empresa da família.
Enquanto isso sempre fui trabalhando como secretária numa empresa da família.
Entretanto o Tico e o Teco perderam-se numa tempestade e surgiu a ideia tonta de abrir um negócio que tinha como melhores clientes duas velhotas completamente alucinadas. Só eu...
Como sempre trabalhei em secretariado foi nessa área que continuei e por aí permaneci até agora.
Casei (já vos apresentei o meu amor) e tive uma menina linda que adoro.
Tenho uma família muito unida que funciona como pilar para mim.
Tenho o apoio constante da minha mãe (que eu amo de paixão) e da minha sogra (de quem eu também gosto muito e com quem tenho uma profunda relação de amizade). Sinto que andamos todos no mesmo sentido...
Tenho o apoio constante da minha mãe (que eu amo de paixão) e da minha sogra (de quem eu também gosto muito e com quem tenho uma profunda relação de amizade). Sinto que andamos todos no mesmo sentido...
Sou feliz e sinto-me realizada.
Faz bem relembrar o passado, sobretudo quando nos orgulhamos dele.
E é mesmo isso que se passa. No essencial, apesar dos defeitos que também tenho, gosto do que sou e tenho muito orgulho da vida que tive e tenho.
Sou uma pessoa do bem!
Um grande beijinho da Paulinha

Paulinha,
ResponderEliminarAdorei tudo o que escreves-te!Bj